* Por Bruna Polizzi

 

Jovens integrantes da Oficina de Graffiti

Com o nome inspirado no lendário personagem do livro de Miguel de Cervantes, o Projeto Quixote foi criado em 1996 em São Paulo, com o objetivo de oferecer atendimento clínico e pedagógico para crianças de rua da região da Cracolândia, ponto de venda e uso de drogas na cidade. Assim como os exércitos e dragões que o idealista cavaleiro andante combatia, o Projeto Quixote enfrenta enormes desafios em sua missão de contribuir para a transformação de uma realidade que muitas vezes inclui violência, abandono e uso de drogas.

O foco de atuação do projeto cresceu. Hoje o Quixote atende também jovens, através de programas de educação para a inserção no mercado de trabalho, atendimento psicossocial e psicológico, e suas famílias, com os programas de geração de renda, oficinas pedagógicas, artísticas e lúdicas.  A cada ano o projeto atende cerca de 1.600 pessoas e faz 24.000 atendimentos clínicos, sociais e pedagógicos.

Oficina de Culinária do Projeto Quixote

Além do atendimento direto a seu público, o Projeto Quixote também propaga o conhecimento adquirido durante catorze anos de atuação por meio de cursos sobre trabalho psicossocial em organizações do Terceiro Setor e consultoria em todo o Brasil, assim como de pesquisas relacionadas às questões presenciadas pela equipe em seu trabalho.

No ano passado a organização se instalou em sua nova sede no bairro da Aclimação. O novo prédio conta com mais espaço para oficinas e salas de atendimento clínico, um auditório e, em breve, terá uma loja para comercializar os objetos artesanais produzidos pelas mães de crianças e adolescentes atendidos pelo Projeto.

Após muito ter ouvido falar do Projeto Quixote, tive a oportunidade de visitar sua sede e conhecer alguns dos jovens e crianças que são atendidos pela organização. O uso da arte como forma de educar e inspirar é evidente. Encontrei um grupo de adolescentes ansiosos pelo início da oficina de grafitti que, enquanto esperavam, me mostraram os grafittis feitos em uma área externa do prédio. Além de uma parede inteira dominada por desenhos e dizeres, quadros, latas de spray e cavaletes estavam guardados

Sala da Oficina Multiuso

do outro lado. Na sala adjacente, chamada Oficina Multiuso, uma das paredes foi coberta com alguns dos desejos dos jovens:  “fazer as pessoas prestarem atenção umas nas outras”, “acabar com a exploração infantil” e “ajudar as pessoas a realizarem seus sonhos”.

Por duas vezes o Projeto Quixote foi selecionado para receber apoio da BrazilFoundation: em 2004, com o projeto “Graffiti na Cracolândia”, e em 2006, com o projeto “Moinho de Luz – Oficina de Vídeo-Documentário”. Ambos causaram forte impacto na organização e acabaram originando dois novos modelos de negócio social. O primeiro é um programa educativo voltado para jovens que desejam fazer graffiti profissionalmente e o segundo é a criação da “Usina de Imagem”, programa que oferece oficinas de multimídia para jovens e que atua como uma produtora social.

Como voluntária da BrazilFoundation em Nova York, há mais de dois anos, fiquei muito feliz em ver um projeto inspirador como esse e observar que a transformação da realidade social do Brasil não é uma missão inatingível, mas sim um esforço que depende de vários Quixotes dispostos a enfrentar moinhos de vento.

* Nascida em São Paulo, Bruna é voluntária da BrazilFoundation desde 2009 e membro do Comitê Jovem da organização. Bruna está cursando o programa de mestrado em Marketing Integrado da Universidade de Nova York.

Para saber mais sobre o Projeto Quixote, visite o site: http://www.projetoquixote.org.br/