Dia do Refugiado: fortalecimento da cultura e da língua viabilizam oportunidades no Abraço Cultural

 

“A receptividade é um dos aspectos essenciais para integração de refugiados e migrantes em todo o mundo. Para que isso tenha efetividade, a empatia pela situação em que vivem as pessoas em situação de refúgio é primordial.”

Mais de 68 milhões de pessoas no mundo são refugiados ou deslocados internos, segundo a Agência da ONU para Refugiados, forçados a deixar suas casas em decorrência de conflitos políticos e religiosos, guerras, fome, perseguições. Hoje, Dia do Refugiado, convidamos você a pensar: o que podemos fazer para ajudar a reconstruir essas histórias?

Atuando em São Paulo e no Rio de Janeiro, Abraço Cultural propõe um mecanismo empreendedor para o engajamento de pessoas e cidades com a causa dos refugiados, ao mesmo tempo em que os empodera. Oferece cursos acessíveis de idiomas e cultura, tendo refugiados residentes no Brasil como professores. Troca de experiências, geração de renda e valorização pessoal e cultural são os principais objetivos.

Mostramos como o Abraço Cultural está ajudando a transformar vidas de refugiados que chegam ao Brasil a partir de ações para fortalecimento da cultura, da língua e para a geração de renda. Mateus Lima é assistente de Projetos e conversou com a BrazilFoundation.

BrazilFoundationComo o fortalecimento da cultura e da língua podem ajudar a superar as dificuldades encontradas ao chegarem no Brasil?

Abraço Cultural – A proposta de capacitar pessoas em situação de refúgio como professores de idiomas, ao mesmo tempo em que valoriza as suas potencialidades linguísticas e culturais, surge como uma alternativa real e efetiva para solucionar o desafio da inserção econômica e social de pessoas em situação de refúgio. Acreditamos que desta forma conseguimos transformar a realidade, uma vez que, além de gerar fontes de renda, ao fazer da sala de aula um lugar de troca cultural e (des)construção, impulsionamos a quebra de barreiras sociais e preconceitos.

BFQue ações o Abraço Cultural desenvolve e como elas colaboram para a permanência e inserção social de refugiados no Brasil?

AC – Em 2016, um ano após sua criação, o Abraço Cultural passou a funcionar também no Rio de Janeiro. Até o momento, o projeto capacitou 90 pessoas em situação de refúgio para atuar como professores no curso do Abraço Cultural, em outras escolas de idiomas ou de maneira autônoma. Do total de professores capacitados, 40 atuaram diretamente em nosso curso. O projeto já teve mais de 2000 alunos e gerou mais de um milhão de reais de renda para pessoas em situação de refúgio.

BFComo a sociedade pode ajudar a reestruturar a vida de pessoas forçadas a saírem de seus territórios e lares?

AC – A receptividade é um dos aspectos essenciais para integração de refugiados e migrantes em todo o mundo. Para que isso tenha efetividade a empatia pela situação em que vivem as pessoas em situação de refúgio é primordial.

E o exemplo vem do Haiti. Geneviève Cherubin é professora de francês no Abraço Cultural. Sua história é um grande exemplo de empatia e altruísmo. Vinda de Porto Príncipe, Haiti, onde trabalhou como voluntária em comunidades do interior atingidas pelo terremoto de 2010, ela passou pelo Equador até chegar ao Brasil, que considera sua segunda casa. Morando aqui sozinha, correu atrás do seu sustento e conheceu pessoas que a ajudaram a alcançar seus objetivos e conquistar sua independência. Mas parte do seu coração continua em sua terra natal. Seu sonho é que seus esforços consigam transformar as pessoas, principalmente em seu país, onde a única esperança de muitos é sair de lá. E é cantando sobre dias melhores com seus alunos e amigos brasileiros que ela atrai toda a positividade que precisa para isso.

Conheça outras iniciativas que estão ajudando refugiados e sua famílias a recomeçarem suas vidas:

Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante
Projeto Linyon
Migraflix
Moinho Cultural