Um encontro organizado pela BrazilFoundation  sobre o tema “Filantropia e Transformação Social” reuniu  um mix de banqueiros, advogados,  representantes de organizações da sociedade civil para uma reflexão sobre o tema na quarta, 27/05, no auditório da Goldman Sachs, patrocinadora do I Gala da BrazilFoundation em São Paulo. Além de abordar este tema premente na ocasião, a BrazilFoundation anunciou o lançamento do Fundo São Paulo,  que será destinado a captação de recursos entre paulistas, pessoas físicas e jurídicas que para o apoio de projetos sociais nas comunidades de  públicos vulneráveis em São Paulo.

 

O encontro contou com a participação em mesa redonda de Paulo Leme, presidente do Conselho da Goldman Sachs no Brasil; de Angela Dannemann, Diretora Executiva da Fundação Victor Civita; e Dagmar Garroux, a “Tia Dag,” criadora da Casa do Zezinho, as duas ultimas instituições foram homenageadas no Gala de São Paulo. Cada um ofereceu sua perspectiva no potencial da filantropia no Brasil efetuar transformação social.

 

Para Angela Danneman, “homenagear a Fundação Vitor Civita e a pessoa do Roberto Civita que faleceu há exatamente um ano, é uma forma muito especial de relembrar seu legado e construir estratégias para a melhoria da educação no Brasil”. Relatou como nos anos 70, Civita visitou escolas brasileiras e viu que faltavam recursos em sala de aula e formação de professores em todas as regiões. Na época, propôs ao Ministério da Educação uma parceria onde a Editora Abril faria doação de matérias, que porem não foi possível por ser uma parceria entre uma empresa e um entidade governamental. Civita, portanto, decidiu criar a fundação e a revista Nova Escola, focada em formação de professores e gestão escolar, e que tem hoje a maior tiragem entre todas as revistas do Brasil.

 

A Tia Dag encantou a todos com estórias bem humoradas, corajosas e marcantes, como o estabelecimento da Casa do Zezinho, que começou a partir de sua militância política e levou à criação de um abrigo para filhos de desaparecidos na época da ditadura. A casa ficou pequena para tantas crianças e jovens e, após a aposta de um investidor, a casa ganhou uma nova estrutura. “E preciso que a gente integre. Se não, a gente vai se desintegras”, finalizou seguida de muitas palmas.

 

O encontro contou também com uma participação animada da audiência. Patricia Lobaccaro levou o publico a refletir quantas vezes  doamos recursos para a universidade na qual estudamos, ou para manutenção da praça mais próxima de nossa casa. Para ela, “temos que fortalecer a cultura da doação individual no Brasil e pensar no que aconteceria se cada um de nos fizesse um pouco mais”.

 

Monica de Roure, Diretora Executiva da BrazilFoundation no Brasil, juntou-se à Patricia  para falar de algumas parcerias estratégicas com empresas, como a Companhia Siderúrgica do Pecem, no Ceara, que buscam maior impacto em suas ações e investimentos sociais no território onde atuam.

 

Os executivos da Goldman ressaltaram que varias entidades do setor privado têm tomado à iniciativa de fazer investimentos sociais. Andre Laport, que também faz parte do conselho da BrazilFoundation, reforçou que hoje numero grande dessa diáspora brasileira voltou ao Brasil e a ponte inicial pode se desdobrar possibilitando  realizações a partir da ampliação da rede de apoio e parcerias como esta, com a Goldman Sachs, que aposta na causa e investe ha anos no setor social. Paulo Leme citou os investimentos sociais globais da Goldman, como o exemplo de projeto de 100,000 mulheres que recebem treinamento em empreendedorismo empresarial. A Goldman Sachs já investiu mais de 1.6 milhões em 100 instituições sem fins lucrativos no Brasil.

 

 

Após apresentações de cada palestrante e a sessão de perguntas e respostas, Leona Forman convidou a todos a continuar os encontros com foco no apoio e formação de redes para o Fundo São Paulo, buscando levantar questões relevantes, parcerias e novas pontes que possibilitem resultados ainda mais impactantes na atuação de dezenas de organizações sociais e privadas em 2014.