Com formação da Casa do Rio Tupana, artesãs de Teçume conseguem triplicar a renda e sair da dependência dos maridos

 
As mulheres dos rios Tupana e Igapó Açu, no Amazonas, estão transformando a história da região. No início de outubro, elas participam do IX Congresso Nacional de Agroecologia representando as mulheres ribeirinhas. Uma grande conquista para mulheres que há um ano viviam na dependência dos maridos.

Elas fazem parte do grupo das artesãs da Teçume, projeto da Casa do Rio Tupana. A organização oferece formação a artesãos locais para produção e comercialização de de produtos palha e madeira. O objetivo é transformar a realidade da região, emancipando a mulher ribeirinhas e fomentando o empreendedorismo.

A Casa do Rio Tupana é recebeu apoio da BrazilFoundation no ciclo 2014-2015. É uma organização que trabalha pela igualdade da mulher, por um Brasil mais justo e por uma Amazônia sustentável.

Conheça as histórias de vida de algumas das mulheres que participam do projeto:

 Dona Rita_Teçume_Nov15

Dona Rita

Dona Rita, 48 anos, chegou com a família ao Rio Tupana ainda criança. Casou com Edmilson, teve 7 filhos e netos a perder de conta. No quintal de casa, ela planta e colhe cupuaçu, mandioca, castanha, cará para alimentar a família e para vender e tirar uma renda extra.

Tem mãos hábeis a Dona Rita. Suas peneiras são de fazer vista, feitas com muito esmero. Seu trançado é firme, como suas posições: mulher de opinião, ela antes desconfia, para depois abraçar a causa, com fé.

Uma das mais engajadas mulheres do grupo da Teçume, tem habilidades técnicas e um grande espírito de liderança. A sua primeira viagem de avião foi com a Casa do Rio para Belém do Pará, para o 9° Congresso Brasileiro de AgroEcologia. A viagem lhe fez muito bem. Dona Rita anda mais bonita, sua renda familiar triplicou e sua auto estima também. Com o desenvolvimento dos trabalhos e a visita ao Congresso, dona Rita planeja agora voos ainda mais altos. Ela quer aprender a ler.

 Dona Branca

Dona Branca

Descendente da etnia indígena Mura, dona Branca, nasceu no rio Tupana, onde viveu boa parte dos seus 47 anos. Perdeu o pai muito cedo e precisou tomar as rédeas da própria vida, aprendendo a flechar peixe e caçar.

Casou-se ainda nova com Aurimar, com quem tem 7 filhos e 9 netos. No grupo de artesãs da Teçume, Branca desenvolveu uma bolsa de cipó ambé em parceria com a designer Luly Vianna, da marca paulistana Saissu. A bolsa, chamada Paricá,
está pronta e carrega os sonhos de uma vida melhor para Branca.

Os filhos estão orgulhosos do trabalho da mãe e até o marido, que no início proibiu a Dona Branca de participar do grupo da Teçume, hoje apoia a mulher. Ele colhe o ambé da floresta, e cuida dos brotos para que nunca falte matéria prima para a produção da bolsa Paricá.

 Marcineide 2 Teçume_Nov15

Marcineide

Marcineide, 28, acaba de largar o marido. Uma decisão nada fácil para uma mulher da comunidade do Rio Tupana, particularmente para quem tem muitos filhos para criar, mas Marcineide conseguiu se libertar.

Com trabalho na Teçume conquistou independência financeira. Com tramas em fibra de bananeira, farinha e quitutes, sustenta seus 5 filhos. A coragem de Marcineide motiva e emociona. Faz a Casa do Rio querer mais, envolver mais e mais mulheres que, com uma pequena oportunidade, transformam completamente suas vidas.

Dona Mocinha

Dona Mocinha é presidente do assentamento Tupana-Igapó Açú 2, comunidade vizinha à Santa Izabel e tem energia de menina. Ficou viúva no ano passado, depois de 3 anos cuidando do marido, que sofria com um câncer.

Ela chega ao Teçume no momento em que os líderes do projeto trabalham pela consolidação do grupo inicial e sua expansão. A experiência de Dona Mocinha com trabalhos na área do turismo vai agregar conhecimento e abrirá novas possibilidades para o grupo. Sua participação é crucial para a formação de novas empreendedoras, pois seu papel de liderança inspira confiança em outras mocinhas que, como ela, querem assumir totalmente seu papel como mulher.