Com apenas quatro toques no botão de liga e desliga do celular, a polícia recebe a informação e a localização via GPS da mulher que está se sentindo ameaçada por um ex-companheiro. Não é preciso discar ou abrir o aplicativo para avisar a polícia, a justiça e os amigos sobre o perigo. O aplicativo ainda grava imagens e sons que podem ser usados como provas contra o agressor

O aplicativo de celular desenvolvido pela Themis, em parceria como o Geledés, tenta reduzir os índices de violência contra as mulheres, especialmente o de homicídios de mulheres, que coloca o Brasil na quinta posição do ranking mundial da Organização Mundial de Saúde.

O nome PLP 2.0 faz referência ao programa Promotoras Legais Populares (PLP) desenvolvido pela Themis há mais de vinte anos. Uma homenagem mais do que justa. “As promotoras populares são multiplicadoras de direitos e de acesso à justiça,” diz Livia de Souza – Coordenadora Jurídica da Themis. “Dentro das comunidades em que elas vivem, elas empoderam outras mulheres, ajudado-as a acessar os serviços como delegacias e o judiciário também”.

Com treinamento promovido pela organização, a ferramenta começa a ser testada em Porto Alegre (RS) em fevereiro de 2016, e as mulheres que vão participar dos testes iniciais foram escolhidas por juízes locais. Para usar o recurso de proteção é preciso ter um smartphone, mas quem não tiver não precisa se preocupar. Uma campanha da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul está arrecadando os aparelhos usados e doando para as mulheres vítimas da violência..

Para Maria Guaneci Marques de Ávila, promotora legal popular da Themis há mais de duas décadas, o aplicativo vai ser mais uma ferramenta para auxiliar o trabalho de acolhimento das vítimas, mas é preciso ir mais longe.

“A mulher precisa ser empoderada e precisa de coragem, porque romper o ciclo da violência não é fácil”, diz Maria. “Essa mulher precisa ser empoderada, precisa de um trabalho, de um lugar para morar e de um espaço dela, que não dependa desse agressor”.

Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública gaúcha, entre 2012 e 2015, 164.236 mulheres foram agredidas no Rio Grande do Sul e quase 300 casos resultaram em morte. De acordo com a Themis, Santa Catarina e Rio de Janeiro devem ser os próximos estados a adotar o aplicativo.